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A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA POSITIVA NO CONTEXTO DE
APRENDIZAGEM: A PERSPECTIVA DE SUCESSO NA INSERÇÃO NO
MERCADO DE TRABALHO NOS CONTEXTOS DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS
E PRIVADAS
THE IMPORTANCE OF POSITIVE PSYCHOLOGY IN THE LEARNING
CONTEXT: THE PERSPECTIVE OF SUCCESSFUL INSERTION IN THE JOB
MARKET IN THE CONTEXT OF PUBLIC AND PRIVATE UNIVERSITIES
Luis Felipe de Oliveira Fleury
1
Centro Universitário Augusto Motta UNISUAM - Brasil
RESUMO
O estudo é de natureza quantitativa. Participaram do estudo 484 estudantes universitários do
estado do Rio de Janeiro, sendo 407 mulheres, com idade variando de 17 a 59 anos (média igual
a 25,47 anos, desvio padrão de 8,99 anos) de diferentes cursos de graduação pertencentes a
universidades públicas (42,20%) e privadas (57,80%) do estado do Rio de Janeiro. Foram
realizadas análises de estatística descritiva e Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória com
suporte dos softwares SPSS e AMOS. Os principais resultados e conclusões do estudo são que
as variáveis relacionadas a Psicologia Positiva influenciam positivamente a perspectiva de
sucesso na inserção no mercado de trabalho dos estudantes e que estudantes de universidades
privadas apresentaram melhores indicadores de autoestima, autoeficácia, locus de controle
internalidade, mindfulness e perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho quando
comparados com estudantes de universidades públicas. Os resultados do estudo indicam a
importância de a Psicologia Positiva ser considerada nos contextos de formação.
Palavras-chave: Autoestima Autoeficácia - Locus de Controle Mindfulness - Mercado de
trabalho.
1
PhD in Psychology from the Federal University of Rio de Janeiro
UNISUAM Centro Universitário Augusto Motta, luis.fleury@unisuam.edu.br
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ABSTRACT
The study is quantitative in nature. A total of 484 university students from the state of Rio de
Janeiro participated in the study, 407 women, aged between 17 and 59 years (mean equal to
25.47 years, standard deviation of 8.99 years) from different undergraduate courses belonging
to public (42.20%) and private (57.80%) universities in the state of Rio de Janeiro. Descriptive
statistical analyzes and Exploratory and Confirmatory Factor Analysis were performed with the
support of SPSS and AMOS software. The main results and conclusions of the study are that
the variables related to Positive Psychology positively influence the students' perspective of
success in entering the job market and that students from private universities presented better
indicators of self-esteem, self-efficacy, internality locus of control, mindfulness and prospect
of success in entering the job market when compared with students from public universities.
The results of the study indicate the importance of Positive Psychology being considered in
training contexts.
Keywords: Self-esteem - Self-efficacy - Locus of Control Mindfulness - Job market.
1. INTRODUÇÃO
O presente estudo se insere no contexto do movimento que tem sido definido como
Psicologia Positiva. Portanto, sua ênfase recai sobre aqueles aspectos positivos da vida, que ao
mesmo tempo em que promovem vivências positivas, como felicidade, bem-estar, satisfação na
vida, favorecem o desenvolvimento de mecanismos de proteção para aqueles indivíduos que
lidam com constante pressão por resultados e desempenho como o caso de estudantes
universitários.
A área de realização dessa pesquisa foi justamente o contexto de formação de futuros
profissionais de nível superior, ou seja, a universidade. Pretendeu-se abordar temas
relacionados a Psicologia Positiva em uma tentativa de compreensão a respeito de suas
expectativas de inserção, em um futuro, no mercado de trabalho. O contexto de formação
superior é um contexto importante para pesquisas no âmbito teórico da Psicologia Positiva.
Trata-se de um ambiente que impõe prazos, provas e pressão por resultados e em paralelo a
isso, o estudante convive com a constante incerteza sobre o futuro profissional.
Cabe trazer para contextualização do estudo, por mais que este não seja o objetivo central,
o cenário socioeconômico que em muitos momentos se apresenta de maneira instável e
inconstante em termos de mercado de trabalho. Situação ainda mais sensível em se tratando de
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profissionais recém formados, portanto com pouca ou nenhuma experiência. Dessa maneira, é
importante que as instituições de ensino superior fomentem estratégias que mitiguem esse
cenário no âmbito de formação para que o discente tenha a oportunidade de se preparar
efetivamente para a transição universidade-mercado de trabalho. Propor tal tema para
instituições formadoras, pode constituir uma contribuição deste estudo.
A investigação do contexto de formação pode proporcionar uma melhor compreensão da
preparação dos futuros profissionais e assim, desenvolver melhores estratégias de ensino para
que esse discente universitário se perceba enquanto indivíduo, desenvolva suas potencialidades,
compreenda suas fraquezas e fundamentalmente se perceba como profissional em formação.
Esta percepção pode trazer uma atitude mais ativa frente a construção da carreira e a inserção
no mercado de trabalho. Talvez essa iniciativa auxilie no médio e longo prazo uma melhora
significativa na disponibilidade de profissionais que tenham tido na formação contato com
estratégias que o auxiliaram a desenvolver as competências demandadas pelas organizações
que possam o empregar.
Outro fator que influenciou fortemente a escolha do público a ser investigado foi o fato
de que a fase de formação universitária se desenvolve como um período especialmente
vulnerável ao aparecimento de sintomas de estresse e fatores associados (como problemas com
o sono). Evidências empíricas encontradas na literatura científica apontam, por exemplo, alta
incidência de estresse em estudantes universitários com manifestação de sintomas psicológicos
e alto índice de estudantes que acreditam necessitar de acompanhamento psicológico para lidar
com as demandas do contexto universitário (Lameu, Salazar & Souza, 2016). Em adição a isso,
é justamente no início da fase adulta, que coincide muitas vezes com a fase universitária, é que
muitos transtornos mentais encontram maior chance de serem desenvolvidos pela primeira vez
(Neves & Dalgalarrondo, 2007; Carpena & Menezes, 2018).
A Psicologia Positiva iniciou-se como um movimento teórico em 1998, a partir das ações
do psicólogo Martin Seligman, então presidente da American Psychological Association
(APA), ao lado de renomados cientistas como Mihaly Csikszentmihalyi, Ray Fowler, Chris
Peterson, George Vaillant, Ed Diener, entre outros. A intenção de promover uma alteração de
foco da Psicologia, pois observava-se uma preocupação quase unânime dos estudos em
compreender as psicopatologias e os fatores de risco ao desenvolvimento humano e à saúde
mental (Graziano, 2005; Machado, Gurgel & Reppold, 2017).
Como área do saber, a Psicologia Positiva, então, reúne e desenvolve ideias para
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construção de um novo foco na ciência psicológica contemporânea. Assim, trata-se de um
exercício teórico e metodológico no intuito de modificar a visão que se lança aos fenômenos de
interesse da Psicologia, a partir de uma proposta que ilumina os aspectos positivos e saudáveis
do desenvolvimento, apontando uma clara compreensão de que se deve priorizar a prevenção e
os fatores de proteção. E tal movimento deve ser atribuído aos esforços de Martin Seligman
(Paludo & Koller, 2007; Scorsolini-Comin & Santos, 2010).
É importante entender que a Psicologia Positiva deve contribuir para um entendimento
de que a Psicologia não é apenas o estudo de doenças, da fraqueza ou do dano trazido pelo
indivíduo. Mas deve-se dar ênfase também ao estudo da força e da virtude presentes no ser
humano a partir de pilares como: estudo da emoção positiva, estudo das qualidades positivas e
estudo das instituições positivas (Seligman, 2002; 2004).
A noção de que a Psicologia se concentrou demais na explicação e no alívio de problemas,
dando pouca atenção ao que ocorre de agradável na vida, não é mais controversa. Eis o motivo
pelo qual tem sido amplamente aceita e difundida a ideia que se deve dar atenção aos aspectos
positivos da vida do sujeito, fazendo com que as pessoas sejam mais felizes, tenham sentido de
significado e propósito em suas vidas e reúnam condições que permitam o desenvolvimento de
todo seu potencial (Joseph, 2015).
Quanto a estudos empíricos realizados no âmbito de ensino superior sob o referencial
teórico da Psicologia Positiva, cabe citar duas recentes contribuições.
Machado, Oliveira, Peregrino e Cantilino (2019) constataram o alto índice de estresse em
estudantes universitários brasileiros o que levava a prevalência de adoecimento mental. Os
autores propuseram então um programa de treinamento e desenvolvimento do bem-estar sob a
ótica da Psicologia Positiva. A partir de um estudo experimental ao longo de sete semanas, o
grupo de intervenção teve reuniões focadas em emoções, saúde dos estudantes, gratidão, apreço,
otimismo, resiliência, qualidades e virtudes. Enquanto o grupo controle apenas frequentava as
aulas tradicionais normalmente. O grupo de intervenção apresentou aumento médio de 2,85
pontos na escala de emoções positivas; aumento médio de 2,53 pontos na escala de satisfação
com a vida; e um decréscimo de 1,79 pontos na escala de transtornos mentais utilizada, quando
comparado ao grupo controle. Os autores apontam que houve diferença significativa e que tal
diferença se deu pela intervenção realizada.
Lambert, Passmore e Joshanloo (2019) realizaram um estudo onde apresentam um
programa de intervenção em Psicologia Positiva em uma universidade dos Emirados Árabes. O
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principal objetivo foi estimular a felicidade e reduzir o medo dos estudantes frente aos desafios
encontrados na graduação. Buscou-se atingir o objetivo através de um estudo experimental,
onde participaram ao todo 267 estudantes universitários de diferentes nacionalidades divididos
em dois grupos (experimental e controle). Após três meses de intervenção que consistia em um
treinamento objetivando desenvolver variáveis positivas constatou-se diferença significativa
nos níveis de felicidade em relação ao grupo controle e redução nos níveis gerais de medo.
A primeira variável relacionada a Psicologia Positiva que se pretende considerar é a
autoestima. De acordo com Andrade e Souza (2010) a introdução do termo autoestima é
atribuída a William James que publicou estudos pioneiros sobre o tema. James apresenta a
autoestima como o que sentimos por nós mesmos. Para o autor, o desenvolvimento da
autoestima é influenciado por uma proporção entre nossas realizações e nossas supostas
potencialidades. A autoestima pode ser representada por uma fração cujo denominador são
nossas pretensões e o numerador, os nossos sucessos (James, 1904).
James (1904) propõe que a autoestima leva em consideração todos os atributos do ser
humano, ou seja, a família, bens, o corpo, habilidades sociais, entre outros. A partir do momento
que um desses atributos diminui, em consequência, a pessoa se sentiria igualmente diminuída.
Assim, o autor definiu a autoestima como uma espécie de razão entre o sucesso e as perspectivas
pessoais, colocando grande ênfase na forma de gerar autoestima através do aumento do
numerador (sucessos na vida) ou da diminuição do denominador (as expectativas que criamos).
Outra abordagem importante na literatura científica sobre a formação da autoestima é a
de Bandura (1989) que tende a enfatizar a aprendizagem social e interpessoal. Essa perspectiva
sugere que os indivíduos formam crenças sobre si a partir da observação de outras pessoas que
compõem o ambiente social. De acordo com o autor, o resultado dessa comparação com o outro
impacta a formação da autoestima.
Na linha de pensamento da importância que o ambiente social desempenha na autoestima,
Guerreiro (2011) afirma que se torna fundamental compreender a autoestima numa perspectiva
social. Assim, para a autora, a autoestima significa uma necessidade psicológica que tem como
função fazer corresponder a visão que os outros têm de nós ao que somos verdadeiramente, e
ao fato de estarmos de acordo com os padrões culturais da sociedade em que vivemos.
Outra variável que vem ganhando relevância nos estudos em Psicologia é autoeficácia
(Prisco, Martins & Nunes, 2013; Menezes, Alves, Barbosa & Campos, 2020).
O pioneirismo do estudo sobre autoeficácia é atribuído ao psicólogo estadunidense Albert
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Bandura. Bandura (1977) em uma publicação clássica intitulada “Autoeficácia: em direção a
uma teoria unificadora da mudança comportamental” alude à crença do sujeito sobre a
capacidade própria de realizar com sucesso alguma atividade. O entendimento do construto está
relacionado à compreensão da Teoria Social Cognitiva cuja essência doutrinária atribui à pessoa
o perfil de agente de seu processo de desenvolvimento.
Cabe esclarecer que, no âmbito da Teoria Social Cognitiva, o comportamento humano é
compreendido a partir da adoção de um modelo de reciprocidade onde três componentes são
levados em consideração: ambiente externo, os fatores pessoais (as emoções, o aparato
biológico, os conhecimentos insertos na estrutura cognitiva) e a conduta própria daquele
indivíduo. A partir desse modelo, então, pode-se ter uma compreensão mais ampla sobre o
comportamento do sujeito (Bandura, 1977; Bandura, 1989)
O sujeito constrói, modifica e reconstrói o meio e a si mesmo em um processo dialético,
no qual atua como agente de mudança do ambiente físico e da estrutura cultural, e
concomitantemente modifica-se. Ao agir sobre o meio, alterando e produzindo novos
resultados, também, transforma-se, edificando novos pensamentos e diferentes respostas, o que
sem dúvida, influencia o comportamento futuro (Bandura, 1989; Martínez & Salanova, 2006).
Alçado à função de agente do desenvolvimento, o homem assume a característica de
protagonista nas relações estabelecidas com o mundo. Para Bandura (2008), ser agente significa
influenciar os processos de modo intencional, modificando-se as circunstâncias da vida e a si
mesmo. Nessa perspectiva, as pessoas possuem o controle da ação, são auto organizadas, auto
reflexivas, criativas, proativas e autocontroladas, e não pacientes das influências ambientais.
Pode-se perceber que o autor desenvolve o construto de autoeficácia com base nesse processo
de um sujeito que é ativo no ambiente social.
Um tema que vem ganhando cada vez mais relevância nas pesquisas em Psicologia é o
locus de controle (Maciel & Camargo, 2010). Em linhas gerais, trata-se do sentimento que o
indivíduo possui acerca das coisas que o acometem. Dito de outra forma, se o indivíduo acredita
que ele é o responsável pela maior parte daquilo que acontece com ele ou se atribui essas
responsabilidades a fatores alheios ao seu controle.
O locus de controle é um construto que foi introduzido na Psicologia por Julian Rotter no
contexto teórico da Teoria da Aprendizagem Social. A expressão tem origem no livro publicado
pelo autor intitulado ‘Social learning and clinical psychology’, no ano de 1954 (Dela Coleta,
1987).
68
De acordo com o dicionário de termos psicológicos da American Psychological
Association (APA) editado por Vandenbos (2015) locus de controle diz respeito a um construto
utilizado para categorizar as motivações básicas e as percepções de quanto controle um sujeito
possui sobre sua própria vida. O autor menciona que pessoas com um locus de controle externo
tendem a se comportar em resposta a circunstâncias externas e a perceber que os resultados em
sua vida dependem de fatores externos a si. Por outro lado, pessoas com locus de controle
interno apresentam uma tendência a se comportar em resposta a estados e intenções internas e
percebem seus resultados como decorrentes de suas próprias ações.
Rotter (2011) define locus de controle como a expectativa do indivíduo sobre a medida
em que os seus reforçamentos se encontram sob controle interno (esforço pessoal,
competência), ou externo (as outras pessoas, sorte, chance) Alguns sujeitos creem que são
donos de seu próprio destino, outros se percebem como joguetes do acaso, achando que tudo
que lhes acontece é resultado da sorte ou do acaso. O primeiro tipo tende a ter o locus de
controle interno” e o segundo o “locus de controle externo (Robbins, 2005).
O locus de controle é a crença que uma pessoa possui de poder ou não controlar os eventos
de sua vida. Sendo assim, pode ser entendido como uma expectativa generalizada de controle
acerca de uma situação ou ação e de seus resultados (Castillo & Ramirez, 2000; Albuquerque,
Noriega, Martins & Neves, 2008).
Mindfulness ou consciência plena é um tema ainda pouco explorado, sobretudo no Brasil
e em contextos organizacionais. Entretanto, têm sido amplamente destacados os benefícios que
a consciência plena traz para a saúde, qualidade de vida e bem estar de indivíduos e grupos nos
mais diferentes contextos. Um dos motivos para a pouca utilização do construto em
investigações cientificas talvez seja sua maior correlação com a filosofia do que propriamente
com a ciência (Dane & Brummel, 2013).
Mindfulness é um tema ainda pouco familiar tanto para a população em geral quanto para
a comunidade acadêmica brasileira. o se pode afirmar que exista uma tradução consensual
para esta expressão na língua portuguesa. Com isso, a palavra de origem inglesa geralmente é
referida como "atenção plena", "observação vigilante", "mente alerta" e "consciência plena"
dentre outras (Hirayama, Milani, Rodrigues, Barros e Alexandre, 2014).
A palavra mindfulness tem origem sobretudo da tradução de "sati" (palavra proveniente
do dialeto indiano denominado ‘Pali’). Sati de forma literal designa lembrança ou lembrar. No
contexto dos escritos budistas este termo remete à atividade da mente, à constante presença da
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mente e à lembrança de manter a consciência. Em um sentido histórico, mindfulness é um dos
pontos fundamentais dos ensinos budistas. Segundo esta tradição, a mente humana tende a se
comportar de modo a avaliar e reagir emocionalmente fazendo com que o indivíduo se afaste
do ato de sustentar sua consciência de momento a momento (Grossman & Van Dam, 2011;
Hirayama et al., 2014).
De acordo com Vandenbos (2015) mindfulness se refere a consciência dos estados
internos e arredores. O conceito foi aplicado a várias intervenções terapêuticas - por exemplo,
terapia comportamental cognitiva baseada na atenção plena, redução do estresse baseado na
atenção plena e meditação da atenção plena - para ajudar as pessoas a evitar hábitos e respostas
destrutivas ou automáticas, aprendendo a observar seus pensamentos, emoções e outras
experiências do momento presente sem julgá-las ou reagir a elas.
o escassas as publicações na literatura considerando as diferenças observadas entre
estudantes do setor público e setor privado de ensino superior. Cabe destacar que no Brasil os
setores públicos e privados funcionam a partir de lógicas diferentes, o que fundamenta a
diferença desses setores é a legislação. Enquanto no setor público, as relações de trabalho são
pautadas pela Lei 8112/1990 que estabelece o regime jurídico dos servidores públicos, no setor
privado as relações de trabalho são estabelecidas com base na Lei 5452/1943 conhecida como
Consolidação das Leis do Trabalho. Talvez a principal diferea entre os dois regimes é que no
serviço público existe a estabilidade que não permite o desligamento do servidor, enquanto que
no regime privado a possibilidade de desligamento está presente.
Silva (2006) aponta que a diferença entre o funcionamento do setor público e privado foi
construída historicamente fundamentando-se em uma gica conhecida como liberalismo
econômico. Nesta lógica, o agente público deve atuar perante a ausência do agente privado, ou
se ausentar para não atrapalhar a harmonia imanente às relações privadas. O Estado deve atuar
como regulador e não como concorrente. Nos termos do autor, o Estado deve restringir-se a um
conjunto de funções específicas, mas genéricas o suficiente, para ficar longe de concorrer com
o setor privado. Neste processo, Estado e Mercado, enquanto setores emblemáticos da
dualidade público/privado, acabam sendo reconhecidos como entidades antagônicas, separadas,
distintas.
No caso do ensino superior as instituições privadas é que aparecem para preencher as
lacunas do setor público que não consegue atender a demanda por formação superior. Nesse
sentido, Silva Júnior e Sguissardi (2005) apontam que as instituições universitárias privadas
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devem se apresentar como uma alternativa para a sociedade civil somente quando o Estado não
tenha condições de responder sozinho às demandas públicas de educação superior. Essas
instituições são autofinanciáveis, e funcionam em conformidade com os ditames da
constituição, tendo sua qualidade regulada por órgãos públicos, sem qualquer ônus ao erário
direto ou indireto.
Silva Júnior e Sguissardi (2005) afirmam que com a crescente demanda por formação
superior no Brasil, muitas instituições privadas surgem com intuito de oferecer esse serviço. E
se por um lado as universidades públicas historicamente privilegiam uma formação voltada para
pesquisa científica, até pelo fato de muitos de seus professores serem vinculados a programas
de pós-graduação, as instituições privadas de ensino superior precisam atrair alunos para que
se mantenham financeiramente viáveis. Assim, tendem a ser instituições que privilegiam um
contato maior com mercado de trabalho, o que pode justificar o resultado encontrado nos dados
desta investigação.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. Objetivos
O estudo teve dois objetivos principais:
- Compreender a influência de variáveis relacionadas a Psicologia Positiva sobre a
perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho de estudantes universitários.
- Comparar os escores obtidos por estudantes de universidades públicas e privadas nas
variáveis do estudo (autoestima, autoeficácia, locus de controle, mindfulness e perspectiva de
sucesso na inserção no mercado de trabalho).
2.2. Participantes
É importante ressaltar que a amostra é não probabilística e que foi composta por
conveniência, ou seja, considerou-se as pessoas que se conseguiu alcançar dentro do público
alvo e que se dispuseram a participar do estudo. Logo, os resultados não podem ser
generalizados. No entanto, constituem evidência empírica para a área de investigação.
Participaram do estudo 484 estudantes universitários do estado do Rio de Janeiro, de
diferentes cursos de graduação sendo predominantemente: Psicologia, Administração e
Enfermagem. Em relação ao sexo, 75 (15,5%) são do sexo masculino e 407 (84,1%) são do
sexo feminino. Aponta-se que 2 participantes (0,4%) não identificaram o sexo. Quanto ao
estado civil, 384 (79,3%) são solteiros, 82 (16,9%) são casados e 18 (3,7%) outro. A idade dos
participantes variou de 17 a 59 anos com média de 25,47 anos, mediana de 22 anos e desvio
71
padrão de 8,99 anos. Em relação ao tipo de universidade: 279 estudantes (57,8%) são alunos
de universidades privadas. E 205 estudantes (42,2%) são alunos de universidades públicas.
2.3. Instrumentos
O questionário sociodemográfico envolveu perguntas a respeito do sexo, estado civil,
idade e se a universidade em que estuda é pública ou privada.
Para mensuração da autoestima foi utilizada a Escala de Autoestima de Rosenberg
(1965). Tal instrumento conta com diferentes estudos de validação para amostras brasileiras
(Hutz 2000; Dini, Quaresma & Ferreira, 2004, Sbicigo, Bandeira & Dell’Aglio, 2010, Hutz &
Zanon, 2011).
A autoeficácia foi mensurada com a utilização da Escala de Autoeficácia Geral
Percebida. Trata-se de um instrumento unifatorial do tipo Likert com 10 itens, desenvolvido
por Schwarzer e Jerusalém (1995). No Brasil, Souza e Souza (2004) publicaram um estudo
sobre a Escala de Autoeficácia Geral Percebida e os resultados demonstraram boa fidedignidade
(com valor de alpha de Cronbach de 0,81) e validade externa, com correlações entre moderadas
e fracas com os construtos anomia, satisfação com suporte social, masculinidade e feminilidade.
Os autores também apontam a unidimensionalidade da medida.
O locus de controle foi mensurado com a utilização da Escala de Locus de Controle de
Levenson (1973), validada para amostras brasileiras por De La Coleta (1987). Trata-se de um
instrumento do tipo Likert de 5 pontos, composta por 24 itens, igualmente divididos em 3
fatores: (1) externalidade acaso, indicando que o indivíduo avalia os acontecimentos de sua
vida em função do acaso, sorte, azar ou destino; (2) externalidade outros poderosos, indicando
que a avaliação dos eventos que acontecem na vida se em função da ação de pessoas capazes
de exercer influência sobre a vida do indivíduo e (3) internalidade, indicando que o indivíduo
avalia que ele próprio é responsável pelos os eventos que acontecem em sua vida. Nos estudos
de validação a autora encontrou um coeficiente de confiabilidade baixo (com valor de alpha de
Cronbach de 0,50).
O mindfulness foi mensurado com a utilização da escala de Brown e Ryan (2003)
denominada Mindful Attention Awareness Scale (MAAS), validada para amostras brasileiras
por Barros, Kozasa, Souza e Ronzani (2015). Trata-se de um instrumento de 15 itens com uma
estrutura unifatorial do tipo Likert de 5 pontos, variando desde 1 (quase sempre) a 5 (quase
nunca).
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A perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho foi mensurada através
de uma pergunta: “Ao pensar no seu futuro, como avalia sua inserção no mercado de trabalho
como profissional”. Esta pergunta foi respondida em uma escala tipo Likert de 5 pontos, onde
1 significa totalmente insatisfatório e 5 significa totalmente satisfatório.
2.4. Procedimentos
Os dados foram coletados por pesquisadores treinados em coleta de dados com variáveis
psicológicas. A coleta se deu de forma presencial e por e-mail através de um instrumento online.
Foram esclarecidas todas as dúvidas dos participantes.
Todos os procedimentos adotados nesta pesquisa seguiram as orientações previstas na
Resolução 196/96 do CNS e na Resolução 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia (CNS,
1996; ANPEPP, 2000). O projeto foi submetido, avaliado e aprovado através da Plataforma
Brasil sob o número de parecer 2905427.
2.5. Análise de dados
Para atingir o objetivo de compreender a influência de variáveis relacionadas a Psicologia
Positiva sobre a perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho utilizou-se a
modelagem de equações estruturais. O objetivo de comparar os escores obtidos por estudantes
de universidades públicas e privadas nas variáveis do estudo foi alcançado com o Teste t de
Student para amostras independentes.
Utilizou-se a versão 19.0 do pacote estatístico SPSS para o Teste t de Student. A
modelagem de equações estruturais foi realizada utilizando o programa AMOS 19.0.
A modelagem de equações estruturais envolve indicadores estatísticos que garantem
maior robustez e confiabilidade às análises. A seguir, será apresentada uma síntese dos
indicadores estatísticos que serão considerados neste estudo. São eles:
A razão do χ2 (qui-quadrado) pelo grau de liberdade avalia a pobreza do ajustamento.
Assim, quanto menor o valor, melhor. Em geral, o modelo ideal possui o valor de 1, sendo
aceitável um valor de até 5. Valores superiores a 5 indicam um modelo muito empobrecido,
que não deve ser aceito.
O Root Mean Square Residual (RMR) indica o ajustamento do modelo teórico aos dados,
na medida em que a diferença entre os dois se aproxima de zero, que seria o valor em um
modelo perfeito. Para o modelo ser considerado bem ajustado, o valor deve ser menor que 0,05.
O Goodness-of-Fit Index (GFI) e o Adjusted Goodness-of-Fit Index (AGFI) Indicam a
proporção de variânciacovariância nos dados explicada pelo modelo. Estes variam de 0 a 1,
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com valores na casa dos 0,80 e 0,90, ou superiores, indicando um ajustamento satisfatório do
modelo.
O Comparative Fit Index (CFI) compara, de forma geral, o modelo estimado e o modelo
nulo, considerando valores mais próximos de 1 como ideais. Entretanto, valores até 0,9 são
considerados satisfatórios. A Root-Mean-Square Error of Approximation (RMSEA), com seu
intervalo de confiança de 90% (IC90%), é considerado um indicador de desajuste, isto é, valores
altos indicam um modelo não ajustado. Assume-se como ideal que o RMSEA se situe entre
0,05 e 0,08, aceitando-se valores de até 0,10.
Todo o processo de análise de dados desta investigação esteve de acordo com as
principais referências encontradas na literatura científica especializada e suas respectivas
recomendações (Byrne, 1989; Hair, Anderson, Tatham & Black, 2005).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para atender ao objetivo principal da presente investigação, foi proposto um modelo de
influência através da técnica de modelagem de equações estruturais onde buscou-se observar a
ação das variáveis relacionadas a Psicologia Positiva na perspectiva de sucesso na inserção no
mercado de trabalho. Na Figura 1 verifica-se a estrutura desse modelo.
74
Figura 1. Modelo de influência das variáveis relacionadas a Psicologia Positiva sobre a
perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho. Fonte: Autor, 2022.
Na Figura 1 observa-se que as variáveis autoestima, autoeficácia, locus de controle
internalidade e mindfulness influenciam de forma positiva a perspectiva de sucesso na inserção
no mercado de trabalho. Dito de outra forma, a presença dessas variáveis no sujeito influencia
o desenvolvimento de uma melhor perspectiva de inserção futura no mercado de trabalho.
Destaca-se que as variáveis locus de controle internalidade e autoestima apresentaram
indicadores de influência mais fortes no modelo. De algum modo, constata-se que o sentimento
que temos por nós mesmos, definição de autoestima nos termos de Bandura (1989), e o grau
que acreditamos que nós somos responsáveis pelo nosso futuro e pelas coisas que nos
acontecem, definição para a locus de controle internalidade nos termos de Levenson (1981),
influenciam a percepção de sucesso na inserção no mercado de trabalho no futuro.
75
Na Tabela 1 apresenta-se os indicadores de ajustamento do modelo encontrados na análise
realizada.
Indicadores
Valor Observado
Valor Ideal
X²/gl
3,07
< 5,00
RMR
0,25
< 0,05
GFI
0,79
> 0,80
AGFI
0,77
> 0,80
CFI
0,73
0,90 1,00
RMSEA
0,06
0,05 0,08
Tabela 1. Indicadores de ajustamento do modelo de influência das variáveis relacionadas
a Psicologia Positiva sobre a perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho.
Fonte: Autor, 2022.
Ao observar os indicadores de ajustamento do modelo nota-se, de maneira geral, que o
modelo apresenta indicadores aceitáveis para avaliação do seu ajustamento estatístico.
Considera-se com base na literatura especializada para este tipo de análise o modelo como
aceitável (Byrne, 1989; Hair, Anderson, Tatham & Black, 2005).
É fundamental afirmar que os achados na presente investigação contribuem com
evidências empíricas para um entendimento difundido na literatura de que a presença de
variáveis consideradas positivas não apenas ocasiona mecanismos de proteção contra o
adoecimento (Calvetti, Muller & Nunes, 2007; Joseph, 2015), mas também fomentam o melhor
desempenho acadêmico (Sbicigo, Bandeira & Dell'Aglio, 2010) e melhoram os indicadores de
produtividade geral (Maciel & Camargo, 2010; Clarke et. al., 2015). A presente contribuição
demonstra que a presença de tais variáveis contribui para uma formação de percepção em
relação ao futuro através de um olhar mais otimista e positivo.
Acredita-se que essa perspectiva mais otimista em relação ao futuro faça com que o
indivíduo tenha um melhor desenvolvimento de seus potenciais e busque encontrar na formação
superior os conhecimentos necessários para dar os primeiros passos em sua carreira, nesse
sentido a literatura já demonstra benefícios (Bandeira, Natividade & Giacomoni, 2015; Santos
& Faro, 2020).
76
Ressalta-se a importância das outras duas variáveis que compõem o modelo. O
sentimento de autoeficácia, que se refere a crença do sujeito sobre a capacidade própria de
realizar com sucesso alguma atividade (Bandura, 1977). E mindfulness, que se refere a
consciência plena dos estados internos e arredores, ou em outras palavras foco no presente
(Vanderbos, 2015). A literatura indica a relação entre Autoeficácia e desempenho (Rodrigues
& Barrera, 2007; Souza & Brito, 2008; Menezes, Alves, Barbosa & Campos, 2020). E também
mindfulness sobre a saúde e bem-estar de universitários (Carpena & Menezes, 2018) e no
contexto organizacional para incremento do desempenho de equipes (Nunes & Muller, 2015).
A presente investigação acrescenta a esse conjunto de variáveis investigadas
previamente por outros autores, a autoestima, autoeficácia, locus de controle internalidade e
mindfulness. Assim, é fundamental, que as Instituições de Ensino Superior (IES) que se
preocupam com a inserção dos seus alunos mercado de trabalho, desenvolvam mecanismos de
desenvolvimento de variáveis psicológicas positivas ao longo da formação.
Para atender ao objetivo de estudar se existem diferenças nas variáveis do estudo em
relação ao tipo de universidade (pública e privada) do estudante decidiu-se realizar o Teste t de
Student, trata-se de um teste de comparação de médias entre amostras independentes. Neste
caso pretende-se averiguar possíveis diferenças entre estudantes de universidades públicas e
estudantes de universidades particulares.
Na Tabela 2 apresentam-se as médias discriminadas para cada variável e o respectivo
grupo público ou privado.
Variáveis
Tipo de
Universidade
N
Desvio
Padrão
Autoestima
Pública
205
0,88
Privada
279
0,76
Autoeficácia
Pública
205
0,73
Privada
279
0,66
Locus
Internalidade
Pública
205
0,65
Privada
279
0,67
Locus Acaso
Pública
205
0,70
77
Privada
279
0,74
Locus
Outros
Pública
205
0,70
Privada
279
0,80
Mindfulness
Pública
205
0,77
Privada
279
0,74
Tabela 2. Média das variáveis relacionadas a Psicologia Positiva em relação ao tipo de
universidade
A partir da análise da Tabela 2 percebe-se que os estudantes de universidades particulares
apresentam médias superiores nas variáveis autoestima, autoeficácia, locus internalidade e
mindfulness. Os estudantes de universidade pública apenas apresentam médias superiores em
locus de controle em seu fator ‘acaso’ e locus de controle em seu fator ‘outros poderosos’ que
são componentes apontados como menos saudáveis ou desejáveis da variável locus de controle
(Dela Coleta, 1987).
Destaca-se que na análise do Teste t de Student verificou-se que as diferenças são
significativas em todas as variáveis: autoestima (t = -6,96; p < 0,00), autoeficácia (t = -3,60; p
< 0,00), locus de controle em seu fator ‘internalidade’ (t = -5, 90; p < 0,00), locus de controle
em seu fator ‘acaso’ (t = 4,95; p < 0,00), locus de controle em seu fator ‘outros poderosos’ (t =
5,09; p < 0,02) e mindfulness (t = - 3,87; p < 0,00). Isso significa que os estudantes de
universidades particulares demonstraram melhores indicadores nas variáveis relacionadas a
Psicologia Positiva e que a diferença de média observada em relação ao estudante de
universidade pública não se atribui ao acaso (Hair, Anderson, Tatham & Black, 2005).
Em um segundo momento decidiu-se estudar uma possível diferença entre os estudantes
de universidades públicas e particulares em relação a variável perspectiva de sucesso na
inserção no mercado de trabalho. Na Tabela 3 é possível observar as médias de cada grupo.
Variável
Tipo de
Universidade
N
Desvio
Padrão
Inserção no
Mercado
Pública
205
0,76
Privada
279
0,73
78
Tabela 3. Média da variável perspectiva de sucesso na inserção no mercado de trabalho
em relação ao tipo de universidade
Os resultados verificados na Tabela 3 indicam resultado superior para os estudantes de
universidade privada em relação aos estudantes de universidade pública na variável perspectiva
de sucesso na inserção no mercado de trabalho. Aponta-se que o resultado do teste t de Student
foi significativo (t = -9,87; p < 0,00) indicando que a diferença observada entre as médias não
se atribui ao acaso (Hair, Anderson, Tatham & Black, 2005). Assim, afirma-se que no presente
estudo os estudantes de universidade privada demonstram melhor perspectiva de sucesso em
uma futura inserção no mercado de trabalho.
4. CONCLUSÃO
Em termos de contribuição deste estudo, notou-se que são escassos os estudos que
consideram o contexto de formação superior no Brasil que apresentam diferenciações entre os
contextos públicos e privados de formação.
Na presente investigação constatou-se que os indicadores das variáveis relacionadas a
Psicologia Positiva influenciam de forma positiva e significativa a perspectiva de sucesso na
inserção ao mercado de trabalho, bem como que o indicador de perspectiva de sucesso na
inserção no mercado de trabalho é superior, portanto, melhor, em estudantes vinculados a
universidades privadas.
Cabe destacar que os dados encontrados não são generalizáveis e dizem respeito apenas
ao público que se investigou. E que não se pretende neste estudo, de nenhum modo, oferecer
críticas a um contexto ou outro. Entretanto, a constatação de melhores indicadores em
estudantes oriundos do setor privado deve ser destacada. Tal evidência empírica pode servir de
base para fomentar outras investigações que considerem tal temática.
Quanto a realização de estudos futuros, sugere-se a consideração de outras variáveis que
compõe o movimento teórico da Psicologia Positiva, tais como: engajamento, felicidade
subjetiva, satisfação com a vida e bem-estar psicológico. Bem como a consideração de variáveis
como a área de formação e a ampliação da amostra. É fundamental que novos esforços sejam
realizados para amplificar o entendimento dos contextos de formação superior e questões
relativas à transição universidade-mercado de trabalho.
A avaliação realizada ao final da investigação é que se conseguiu alcançar os objetivos
previamente definidos. Ou seja, contribui-se com instrumentos adaptados para mensuração das
79
variáveis consideradas em estudantes universitários e com evidências da importância dos
construtos psicológicos nos contextos de formação superior, sobretudo no que tange a inserção
futura no mercado de trabalho.
Em relação às diferenças observadas entre os estudantes de universidades públicas e
privadas, são constatações que proporcionam reflexões quanto aos contextos e as diferenças em
termos de legislação, diretrizes, prioridades, grades curriculares, entre outras. Mas que exigem
novas investigações para maior compreensão e conclusões mais amplas sobre a temática.
Entretanto, pretendeu-se fomentar a discussão e fornecer elementos para que novos
pesquisadores se debrucem sobre o tema.
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